Músculo é vida

A perda de massa muscular que acompanha o avançar da idade está mais ligada à longevidade e à qualidade de vida do que se imaginava.

16/dez

Está enganado quem acha que músculos só servem para aumentar a autoestima diante do espelho. Sem eles, o corpo de qualquer ser humano acaba ruindo. E por trás da perda de massa e força muscular se esconde uma condição que pode incidir sobre todo mundo e, se não for contida, reduzir a expectativa e a qualidade de vida. Grave o nome dela: sarcopenia.

O envelhecimento, entre outras peças que prega ao organismo, arma para a musculatura. Para complicar, à medida que os cabelos brancos se multiplicam, braços e pernas mais mirrados deixam de ser dignos de nota. “Nas faixas etárias mais jovens, até por questões estéticas, o indivíduo repara nos próprios músculos. Mas, ao passar dos 40, 50 anos, isso deixa de ser uma preocupação”, observa o geriatra João Toniolo Neto, diretor do Núcleo de Estudos Clínicos em Sarcopenia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O perigo é que justamente a partir dos 40 começa a decadência muscular. E ninguém escapa disso. Um levantamento realizado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo em 2014 mapeou a prevalência do problema na capital paulista. O trabalho deu seguimento ao estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento de 2006, que avaliou mais de mil pessoas acima dos 60 anos. Levando em consideração os índices de massa muscular, força e desempenho físico, os pesquisadores detectaram a sarcopenia em 16,1% do total de mulheres (pulando para 46,6% entre as que tinham mais de 80 anos) e 14,4% dos homens (44,7% dos oitentões).